segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

CTC-GB

Resumo Histórico

A CTC foi uma empresa estatal de transporte coletivo, do antigo Estado da Guanabara,  criada no início dos anos 60, com os seguintes objetivos básicos:

1º - Operar e manter o  primeiro sistema de ônibus elétricos da cidade, criado para substituir o sistema de carris.

2º - Operar provisoriamente e erradicar definitivamente  o sistema de Carris, até que todo o sistema de transporte rodoviário fosse reorganizado;

3º - Operar e manter novas linhas de ônibus a diesel, criadas para substituir as antigas linhas de bonde e lotações extintas no período 1962-1964.

No dia 26 de outubro de 1956, o Prefeito do Distrito Federal envia mensagem à Câmara dos Vereadores (Mensagem Nº 49) visando constituir a Companhia de Transportes Coletivos, destinada a unificar e coordenar os transportes coletivos na cidade. Nenhuma providência efetiva foi tomada até a criação da CTC-GB em 1962.

A Lei nº 196 de 8 de outubro de 1962, autorizou o poder executivo a constituir uma sociedade por ações, destinada a explorar o serviço de transportes coletivos.

O Fim dos Bondes

Com o fim do período de concessão do sistema de carris, explorado pela Light, o Governo do Estado da Guanabara assume provisoriamente sua operação e manutenção, abrangendo 81 linhas que  transportavam uma média de 1,1 milhão de passageiros/dia.

No dia primeiro de janeiro de 1961, os bondes da antiga Companhia Jardim Botânico, controlada pela Light e que atuava na Zona Sul,  passam para o controle do Estado da Guanabara, através da Junta Administrativa Provisória dos Bondes da Zona Sul, antes mesmo da criação da CTC. Os bondes da Zona Sul foram extintos entre setembro de 1962 e maio de 1963, inicialmente pela linha da Praia Vermelha, e finalizando em 21 de maio de 1963,  quando circulam os últimos bondes nos bairros do Flamengo, Cosme Velho, Laranjeiras, Catete e Glória. Nesse mesmo período, paulatinamente, são implantados os trólebus da Zona Sul, cobrindo os antigos itinerários dos bondes.

Após a conclusão da erradicação dos bondes da Zona Sul, é dado prosseguimento ao plano de erradicação do bonde da zona norte, que ainda contava com 380 bondes em tráfego distribuídos em 57 linhas. Os bondes da Zona Norte e dos subúrbios  foram extintos entre setembro de 1963 e dezembro de 1967, inicialmente pela linha 86 (Pilares) e finalizando com a linha do Alto da Boa Vista em dezembro de 1967.

Já em 1963 a Companhia Ferro Carril de Santa Teresa, administrada pela Light,  entrega suas linhas ao Governo do Estado da Guanabara. Em seguida, no dia 30 de dezembro de 1963 todas as linhas de bonde da Light da zona norte são transferidas para o Governo do Estado. Em novembro de 1964 os bondes já não circulavam no Centro e nos bairros do Catumby, Rio Comprido, parte da Tijuca, Muda, Caju, parte de São Cristóvão, Irajá e Penha. 

Em março de 1965 são extintas as linhas nos bairro do  Engenho Novo, Lins de Vasconcelos e Piedade. No dia 10 de abril de 1965 circula o último bonde na Ilha do Governador. No dia 31 de outubro de 1967 circula o último bonde em Campo Grande, e finalmente, no dia 21 de dezembro de 1967 é extinta a última linha de bonde da Zona Norte que ligava a Usina ao Alto da Boa Vista, restando apenas as linhas do bairro de Santa Teresa, que também não foram extintas em função de protestos dos moradores.



As primeiras linhas de Trólebus

O Governador Carlos Lacerda dá prosseguimento ao plano de substituição dos bondes por trólebus lançado em fins da década de 1940, após a inauguração da primeira linha de trólebus do Brasil, na cidade de São Paulo, em 1949. 

Em janeiro de 1956, no governo do Prefeito Negrão de Lima (1956-1958) são criadas  duas comissões de estudos: a primeira, a Comissão de Estudos e Planejamento do Serviço de Autocarros Elétricos - CEPAE, e a segunda, a Comissão de Estudos e Planejamento do Serviço de Bondes - CEPB.  Em março, é apresentado o primeiro relatório da CEPAE, que aconselhava a introdução do trólebus na Zona Sul e no Centro. No mesmo ano é lançada a concorrência para instalação da rede elétrica e compra de 200 ônibus elétricos, cujas propostas são abertas no dia 8 de dezembro de 1956. O serviço de instalação da rede aérea e subestações  foi iniciado em fins de 1958, ainda em ritmo lento, tomando maior impulso no primeiro trimestre de 1959. Os primeiros ônibus elétricos são entregues a partir de dezembro de 1959. No dia 31 de agosto de 1962, é criada a Comissão Organizadora da Companhia de Transporte Coletivos – CTC, adotando desde já providências que possibilitassem o funcionamento da CTC, tão logo fosse promulgada a Lei de sua criação, ainda em discussão na Assembleia Legislativa.

No dia 3 de setembro de 1962, a título precário, antes da criação da CTC, é inaugurada a primeira linha de Trólebus, a E-1 (Erasmo Braga - Rui Barbosa) ligando o Terminal Erasmo Braga, no Castelo,  à avenida Rui Barbosa, no bairro do Flamengo. Finalmente, depois de muito embate na Assembleia Legislativa, no dia 8 de outubro de 1962, através da Lei nº 196, o governador do Estado é autorizado a criar a Companhia de Transportes Coletivos do Estado da Guanabara - CTC-GB, que passa a operar os ônibus elétricos, além de incorporar os serviços de transportes operados pelo grupo Light. No dia 28 de setembro de 1962, a CTC inaugura a segunda linha de ônibus elétrico entre o Terminal Erasmo Braga e o bairro da Urca. Até o fim do ano são entregues as linhas dos bairros do Leme e Copacabana.


Linha E-2 (Urca-Erasmo Braga), inaugurada em 28 de setembro de 1962 

Em 1963 são inauguradas as linhas para o Bairro Peixoto, Botafogo, Ipanema, Leblon, Laranjeiras, Cosme Velho, Gávea, enfim cobrindo toda a zona sul. Em maio de 1963, é inaugurada a primeira faixa exclusiva para ônibus da Zona Sul, de que se tem notícia,  no contra-fluxo das avenidas Visconde de Pirajá e Ataúlfo de Paiva, sentido Baixo Leblon, permitindo a circulação dos ônibus elétricos da CTC nos dois sentidos, por uma mesma avenida. Na mesma época a pavimentação em paralelepípedos das ruas Visconde Pirajá, Ataulfo de Paiva e Bartolomeu Mitre,  é substituída por revestimento de concreto asfáltico, permitindo a operação dos trólebus sem solavancos. Em junho de 1963, a CTC conclui o plano de implantação dos trólebus na zona sul, mobilizando toda a frota de 200 ônibus elétricos. Complementando o plano, em novembro de 1963 é inaugurada a Linha E-18 (Urca-Leblon), substituindo as duas linhas de lotações, circulares abraçantes, da  Auto Viação Urca, extinta na ocasião.



Ônibus a Diesel

Logo após a conclusão do projeto básico de implantação dos trólebus na Zona Sul, em agosto de 1963, a Companhia anuncia o plano de compra de 300 ônibus diesel. No dia 23 de dezembro de 1963, é publicada no Diário Oficial a convocação para a aquisição dos primeiros 150 novos ônibus a diesel.

Finalmente, no dia 2 de abril de 1964, a Companhia inaugura suas primeiras duas linhas de ônibus a diesel, a 122 (Candelária-Forte) e a 123 (Candelária-Jardim de Alá), totalizando 50 carros, de uma encomenda de 150 ônibus . No dia 17 de maio de 1964 o itinerário da Linha 122 é prolongado até a Central do Brasil, sendo transferida sua operação para uma empresa particular, a Viação Taruman.

Em novembro de 1963, substituindo duas linhas de lotações, circulares abraçantes, da Auto Viação Urca, é inaugurada a linha de trólebus E-18 (Urca - Leblon) com pontos finais nas avenidas João Luís Alves e Ataulfo de Paiva. A linha dura apenas 8 meses, sendo substituída pela linha 511, da própria CTC, operada com ônibus diesel carroceria Vieira. A linha E-18 era circular num só sentido, com ida por Copacabana e volta pelo Jockey.

Em julho de 1963, após apenas 8 meses em operação, é extinta a linha de trólebus E-18 (Urca-Leblon), sendo substituída pela linha 511, da própria CTC, operada com ônibus a diesel Mercedes Benz com  carroceria Vieira. A linha E-18 era circular num só sentido, com ida por Copacabana e volta pelo Jockey.

No dia 5 de maio, é inaugurada a quarta linha de ônibus a diesel da Companhia, a 200 (Carioca-Rio Comprido), substituindo a linha de bonde 47(Santa Alexandrina), extinta no dia 11 de agosto de 1963.


Linha 200 (Carioca-Rio Comprido) inaugurada em  5 de maio de 1964 e extinta entre 1974 e 1975

No mês seguinte, no dia 18 de junho de 1964, são inauguradas 6 novas linhas de ônibus a diesel na Zona Norte, substituindo antigas linhas de bonde e lotações da Tijuca: 428 (Malvino Reis-Lopes Quintas) via Praia do Flamengo, 446 (Lins-Lagoa) via Mariz e Barros, 218 (Carioca-Uruguai), 180 (Largo do Machado-Mauá), 211 (Saénz Peña-Carioca) via Haddock Lobo e 212 (Saénz-Peña-Carioca) via Mariz e Barros. A linha 218 , no entanto, é logo extinta em agosto de 1964. 


Linha 446 (Lins-Lagoa), inaugurada em junho de 1964 e extinta em novembro do mesmo ano. Foto Acervo Arquivo Nacional.

Junto com a inauguração das primeiras linhas de ônibus a diesel da Zona Norte, no dia 18 de junho de 1964, é inaugurada oficialmente a primeira garagem de ônibus a diesel da Companhia, localizada na  Avenida Presidente Vargas, 3043, na Cidade Nova, na atual Praça Irmãos Bernadeli, em frente à sede administrativa da Prefeitura. Entre 1960 e 1964  a Light transferiu ao Governo do Estado 9 depósitos de bondes, situados em São Cristóvão, no Centro, Meyer, Villa Izabel, Cascadura, Taquara, Penha, Catete e Botafogo, que ao longo do tempo são aproveitados pela CTC para instalação de suas garagens, e mesmo para futuras revendas possibilitando a compra de ônibus novos.

Em julho de 1964, no dia 5, são inauguradas as três primeiras linhas da CTC da área Central, a 207 (Lapa-Praça da Bandeira), C-4 (Estrada de Ferro - Praça XV)  e C-6 (Lapa - Estrada de Ferro), substituindo as antigas linhas de bonde 25 (André Cavalcanti), 26 (Estrada de Ferro-Praça Mauá), 28 (Estrada de Ferro-Praça XV), 32 (Lapa-Gamboa), e 33 (Lapa-Praça da República), extintas no dia anterior. No dia 31 de agosto de 1964, complementando o atendimento de linhas criculares na área central, é inaugurada a linha C-5 (Estrada de Ferro-Castelo) com o seguinte itinerário: Praça Cristiano Otoni, Marechal Floriano, Passos, Tiradentes, Rua da Carioca, Largo da Carioca, 13 de Maio, Praça Floriano, Luís de Vasconcelos, Beira Mar, Antônio Carlos, Primeiro de Março, 7 de Setembro, Tiradentes, Constituição, Campo de Santa Anna, Praça Duque de Caxias, Praça Cristiano Otoni.


Linha 207 (Lapa-Praça da Bandeira) no Largo da Lapa, ao lado do abrigo do bonde demolido no mesmo ano. A linha foi inaugurada no dia 5 de julho de 1964

Em agosto de 1964, no dia 31, a CTC assume a operação da Linha 394 (Vila Kennedy-São Francisco), até então explorada pela Transportes Rosane. A linha, considerada deficitária, foi criada para o o transporte dos novos moradores do conjunto habitacional da Vila Kennedy, localizado às margens da Avenida Brasil,  da Zona Oeste, entregue no mesmo ano.

Em setembro de 1964, no dia 15, com frota de 30 ônibus a diesel, reforçando o atendimento aos bairros do Grajaú, Andaraí e Tijuca,  a Companhia inaugura a Linha 224 (Castelo – Grajaú) via rua Mariz e Barros, com ponto inicial no terminal Erasmo Braga, no Castelo, e ponto final na rua Canavieiras, no Grajaú. No entanto a linha teve vida curta, sendo extinta em 1966.

No final de outubro a CTC inaugura a Linha 210 (Arsenal da Marinha – Caju), subistituindo a linha de bonde 57 (Caju). No mesmo dia, com frota de 15 carros,  é inaugurada a Linha 227 (São Francisco – Todos os Santos) beneficiando o bairro de Todos os Santos, com ponto final na rua Getúlio, esquina com a rua Arquias Cordeiro.

Em novembro de 1964, no dia 21, beneficiando a região do bairro de Benfica, a Companhia inaugura duas novas linhas de ônibus a diesel, a 204 (Tiradentes-Benfica) e 208 (Tiradentes-Triagem), cada uma com 10 carros,. No mesmo dia a linha diametral 446 (Lins-Lagoa), criada há poucos meses, para substituir a antiga linha de lotações Lins-Lagoa, da Viação Sofa, é transformada em linha radial norte, ganhando a vista 231 (Castelo-Lins). 

A Linha 204, em 1965, é prolongada até o bairro de Higienópolis. Em 1977, com 6 carros, transportava apenas 750 passageiros/dia, sendo considerada deficitária. Mesmo assim só foi extinta em 1981. Em 1968 fazia o seguinte itinerário:  Tiradentes, Constituição, Campo de Santana, Presidente Vargas, Francisco Bicalho, Francisco Eugenio, Figueira de Mello, Campo de São Cristóvão, São Luiz Gonzaga, Emancipação, Praça Argentina, Coronel Cabrita, General Almério de Moura, Barreira do Vasco, Prefeito Olímpio de Mello, Suburbana, Viaduto de Benfica,  Suburbana, Democráticos, Darke de Matos, com ponto final na esquina da Estrada Velha da Pavuna. A Linha 208 (Tiradentes-Triagem), que operava com 8 carros em 1967,  circulou durante 8 anos, sendo extinta em agosto de 1972. Em 1968 fazia o seguinte itinerário: Nilo Peçanha, Largo da Carioca, Chile, Lavradio, Senado, Mem de Sá, Santana, Presidente Vargas, Francisco Bicalho, Francisco Eugenio, Figueira de Mello, Pedro II, Fonseca Teles, São Luiz Gonzaga, Viaduto Ana Neri, Doutor Garnier, Conselheiro Mairinck, Lino Teles,  com ponto final no Largo do Jacaré. Também no dia 21 de novembro de 1964, a linha diametral 428 (Malvino Reis-Lopes Quintas) é transformada em radial norte, recebendo a vista 223 (Carioca-Malvino Reis), sendo extinta por volta de 1980. Em 1968 fazia o seguinte itinerário: Largo da Carioca, 13 de Maio, Praça Floriano, Luís de Vasconcelos, Teixeira de Freitas, Arcos, Resende, Mem de Sá, Salvador de Sá. Haddock Lobo, Conde de Bonfim, Uruguai, Barão de Mesquita, Largo de Verdun. Barão do Bom Retiro, com ponto final na Praça Malvino Reis.

Em dezembro de 1964, no dia 20, a CTC suspende a operação da Linha 511 (Urca-Leblon), via Copacabana, por determinação da Comissão Estadual de Controle dos Serviços Concedido de Transporte Coletivo. No mesmo dia a empresa Transportes Acre Ltda. (TAL) inicia a operação das linhas 511 (Urca-Leblon), via Jockey, e 512 (Urca-Leblon) via Copacabana.

Ao longo de 1965 a CTC-GB adquire novos ônibus a diesel, complementando o plano inicial de compra de 300 novos ônibus . São adquiridos os primeiros monoblocos Mercedes Benz,  parte deles com o chassi reduzido para operação no bairro de Santa Teresa. No final de 1965 a CTC contava com 338 ônibus a diesel, sendo 289 Mercedes LPO ano 64 e 49 Mercedes monobloco entregues em 1965, além de 200 trólebus Fiat ano 1957.

Em janeiro de 1965, no dia 7, o poder executivo do Estado do Rio de Janeiro, através de despacho exarado no processo nº 11-00.689-65, publicado no Diário Oficial de 26 de fevereiro de 1965, encarrega à Companhia de Transportes Coletivos da Guanabara – CTC/GB a promover a construção de um outro terminal rodoviário, desafogando o terminal Mariano Procópio.  O projeto e a construção da nova rodoviária foram  acelerados, entrando já em operação no dia 6 de dezembro de 1965. 

Em janeiro de 1965, no dia 9, a CTC inaugura a Linha 250 (Castelo-Encantado), via ruas Mariz e Barros, São Francisco Xavier e Dias da Cruz, com 14 carros e ponto final na Praça Sargento Eudóxio Passos, no Encantado. A Linha no entanto, por volta de 1966, é repassada à Viação Todos os Santos. No mesmo mês a Companhia inicia a operação das linhas 3 (Lapa-Estrada de Ferro), com 10 carros,  e 10 (Mauá – Fátima), com 20 carros, até então exploradas pela Transportes Mosa


Linha C-10 (Mauá-Bairro de Fátima)


Em janeiro de 1965, a CTC troca a cor da faixa da pintura de sua frota, de vermelho para amarelo, novo padrão de pintura que dura até 1971, quando toma posse o Governador Chagas Freitas


Linha 227 (Largo de São Francisco - Pilares) na rua Cadete Polônia, Sampaio, 
em 16/05/1967. Foto Arquivo Nacional, Acervo Correio da Manhã.


CONTINUA, em PDF


Marcelo Almirante

Página lançada em 12 de fevereiro de 2018